Reciclagem no Brasil ainda enfrenta informalidade e está longe das metas

as, o equivalente a 84,79%. As pessoas jurídicas representaram apenas 15,21%.

O número ajuda a dimensionar a importância dos catadores autônomos para o funcionamento da reciclagem brasileira.

São milhares de trabalhadores que diariamente coletam, separam e comercializam materiais que poderiam acabar em aterros, lixões ou outros destinos inadequados.

Ao mesmo tempo, essa forte informalidade revela um problema estrutural: uma parcela significativa da cadeia ainda funciona sem a integração necessária entre empresas, cooperativas, catadores, municípios e indústria recicladora.

Mais de 11 milhões de toneladas movimentadas

O levantamento da SyGeCom registrou 11,1 milhões de toneladas de resíduos movimentadas em 2025 por seus sistemas, um crescimento de 20,69% em relação ao ano anterior.

É importante observar que esse número representa movimentações registradas e não necessariamente toneladas únicas de resíduos, já que um mesmo material pode passar por diferentes empresas antes de chegar à indústria.

Ainda assim, o dado demonstra a dimensão econômica de uma cadeia que muitas vezes permanece invisível para grande parte da sociedade.

O material pode sair das mãos de um catador, passar por um comércio de recicláveis, seguir para um reciclador e finalmente chegar à indústria.

Cada etapa representa uma oportunidade de geração de renda e recuperação de valor.

O Brasil ainda recicla pouco diante do volume de resíduos gerados

Apesar da movimentação existente, o país ainda está distante de aproveitar todo o potencial dos materiais recicláveis.

Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil apontam que aproximadamente 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos foram encaminhadas para reciclagem em 2024.

Em comparação com a quantidade total de resíduos sólidos urbanos gerados no país, a participação ainda é pequena.

O problema fica ainda mais evidente quando observamos o destino dos resíduos.

Uma parcela significativa ainda é encaminhada para locais inadequados, enquanto materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva continuam sendo desperdiçados.

O desafio não é apenas reciclar. É criar uma cadeia eficiente.

Quando falamos em reciclagem, é comum pensar apenas no momento em que uma embalagem é colocada na lixeira correta.

Mas esse é apenas o início do processo.

Para que um material realmente volte à economia, é necessário que exista uma cadeia capaz de realizar:

separação → coleta → transporte → triagem → comercialização → processamento → retorno à indústria.

Se uma dessas etapas falha, aumenta a possibilidade de o material perder valor ou simplesmente ser descartado.

É por isso que a profissionalização da cadeia é tão importante.

Tecnologia pode ajudar a transformar a reciclagem

A digitalização é uma das ferramentas que podem contribuir para essa transformação.

Sistemas de gestão permitem organizar informações sobre fornecedores, materiais, volumes, movimentações e destinos, criando uma visão mais clara de uma cadeia que tradicionalmente possui grande fragmentação.

Para empresas, isso também significa maior capacidade de acompanhar seus resultados ambientais e transformar ações de sustentabilidade em dados mensuráveis.

A tecnologia pode aproximar quem gera o resíduo de quem realiza a coleta, a triagem e a reciclagem.

E onde entram as empresas?

As empresas têm um papel fundamental nessa transformação.

A implantação de coleta seletiva, a correta separação dos materiais e a contratação de serviços especializados podem aumentar significativamente a qualidade dos resíduos encaminhados para reciclagem.

Em eventos corporativos, esportivos, feiras e grandes encontros, por exemplo, a geração de resíduos acontece em poucas horas e em grande volume.

Uma estrutura planejada de coleta seletiva permite que os materiais sejam separados no ponto onde o resíduo é gerado, reduzindo a contaminação e aumentando as possibilidades de recuperação.

Mais do que colocar lixeiras, é necessário pensar em toda a operação.

As metas mostram que ainda há muito trabalho pela frente

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) estabeleceu metas para ampliar a recuperação dos resíduos no Brasil.

Entre os objetivos está o aumento da recuperação da fração seca dos resíduos sólidos urbanos para 20% até 2040.

O cenário atual mostra que existe uma distância considerável entre onde estamos e onde precisamos chegar.

Isso significa que o crescimento da reciclagem dependerá de investimentos, infraestrutura, educação ambiental, tecnologia, políticas públicas e, principalmente, da integração entre os diferentes participantes da cadeia.

Transformar resíduos em valor

Os números apresentados pelo setor deixam uma mensagem clara:

o Brasil não tem falta de resíduos recicláveis. Tem um grande desafio de organização, coleta, separação e valorização desses materiais.

A reciclagem pode gerar renda, movimentar negócios, fortalecer cooperativas, reduzir o desperdício de recursos naturais e diminuir a quantidade de resíduos encaminhados para destinos inadequados.

Mas para isso acontecer em escala, precisamos transformar uma cadeia ainda fragmentada em um sistema mais integrado e profissional.

É justamente nessa transformação que a Valora atua.

Por meio de soluções de coleta seletiva, gestão de resíduos, tecnologia e integração com a cadeia da reciclagem, a Valora busca aproximar empresas, eventos, cooperativas e profissionais do setor.

Porque reciclar não é apenas separar o lixo. É fazer o material voltar a ter valor.

O futuro da reciclagem brasileira depende de uma cadeia mais organizada, tecnológica e inclusiva.

E essa transformação já começou.

Fonte principal: Um Só Planeta / Globo, 20 de outubro de 2026. Dados complementares: SyGeCom, Abrema e informações sobre o Planares.

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