MUNDO PRODUZIU 62 MILHÕES DE TONELADAS DE LIXO ELETRÔNICO EM 2022

Um relatório da ONU divulgado na última semana revelou que o mundo produziu 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022.

Segundo o texto final do Monitor Global de Lixo Eletrônico, a produção de eletrolixo pela humanidade aumentou cinco vezes mais rápido do que as estimativas recentes indicavam.

Para se ter uma ideia, esse volume seria capaz de preencher 1,5 milhões de caminhões de coleta com capacidade para 40 toneladas de resíduos.

Já a quantidade de resíduos eletrônicos registrada como coletada e reciclada foi de aproximadamente 14 milhões de toneladas, ou 22% do que foi gerado.

Infelizmente, a previsão é que esse total caia para 20% até 2030, devido à crescente lacuna nos esforços de reciclagem em relação à alta na produção mundial do setor.

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“O aumento das disparidades em todo o mundo é atribuído a desafios que incluem o aumento do consumo, a redução de conserto e a obsolescência dos aparelhos”, afirma a ONU em nota enviada à imprensa.

Contam-se ainda o rápido avanço tecnológico, a limitação nas opções de conserto, os ciclos de vida cada vez mais curtos dos produtos e a infraestrutura inadequada para a implantação de projetos de logística reversa.

Neste contexto, o relatório estimula os países a aumentarem as taxas de recolhimento e reciclagem de lixo eletrônico para 60% até 2030.

Entre os benefícios da medida, afirma a ONU, estão a minimização dos riscos para a saúde humana, que superaria os custos em mais de US$ 38 bilhões.

 

Fonte: Recicla Sampa

Água para a Paz – Celebrando o Dia Mundial da Água em 2024

No dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Dia Mundial da Água, uma iniciativa global para destacar as questões cruciais relacionadas à água e promover a conscientização sobre a importância desse recurso vital. A cada ano, o Dia Mundial da Água aborda temas específicos para enfatizar diferentes aspectos relacionados à gestão, preservação e utilização sustentável da água.

Em 2024, o tema escolhido é “Água para a Paz”. Esta escolha reflete a crescente compreensão da interconexão entre a água, a segurança, o desenvolvimento sustentável e a paz mundial. A água, que é um recurso fundamental para a vida e o bem-estar humano, desempenha um papel crucial na estabilidade e prosperidade de comunidades, regiões e países inteiros.

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A Importância da Água para a Paz

A água é um elemento essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos, sendo um recurso indispensável para a agricultura, indústria, geração de energia e consumo humano. Além disso, ela desempenha um papel fundamental na preservação dos ecossistemas aquáticos, garantindo a biodiversidade e a saúde do planeta como um todo.

O tema “Água para a Paz” destaca a necessidade de abordar as questões relacionadas à água como uma parte integrante do caminho para a paz global. Conflitos sobre recursos hídricos têm sido uma realidade em várias partes do mundo, ampliando as tensões entre nações e comunidades. Ao compreendermos e promovermos a gestão sustentável da água, podemos contribuir para a prevenção de conflitos e a construção de sociedades mais pacíficas e resilientes.

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A falta de água em muitos lugares é mais comum do que se imagina e pode contribuir ou intensificar conflitos armados colocando em situação de vulnerabilidade muitas comunidades. Alguns exemplos onde isso acontece são: guerra entre Rússia e Ucrânia, conflitos na Faixa de Gaza, Colinas de Golã no Oriente Médio, Planalto do Tibete e muitos outros.  Você pode ver mais na matéria “A disputa por água é uma realidade”.

Desafios Atuais e Soluções Futuras

Atualmente, enfrentamos desafios significativos em relação à disponibilidade e qualidade da água. Mudanças climáticas, urbanização desenfreada, poluição e uso irresponsável dos recursos hídricos são ameaças que exigem ação imediata. Ao adotarmos práticas sustentáveis de gestão da água, podemos garantir o acesso equitativo a esse recurso vital, promovendo a justiça social e a cooperação internacional.

Iniciativas que promovem a eficiência hídrica, a reciclagem de água, a proteção de bacias hidrográficas e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras são passos fundamentais para alcançar o equilíbrio necessário. Além disso, a educação e conscientização pública desempenham um papel crucial na construção de uma cultura que valoriza a água como um bem coletivo.

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Assim, a água sendo um recurso vital para a sobrevivência humana, desenvolvimento de atividades econômicas e manutenção dos ecossistemas, desempenha um papel crucial na estabilidade social e política, tanto internamente quanto nas relações entre países e territórios. É fundamental promover a boa gestão para evitar conflitos, além de:

  • Ajudar a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável;
  • Promover a segurança alimentar, sustentar meios de vida saudáveis, fortalecer ecossistemas e contribuir para a resiliência às mudanças climáticas;
  • Reduzir riscos de desastres, fornecer energia renovável, apoiar cidades e indústrias e promoção da integração regional;
  • Promover uma economia circular com respeito aos direitos humanos;
  • Possibilitar e facilitar que os países estabeleçam acordos para melhor gerenciamento de recursos hídricos transfronteiriços.

Água como Agente de Transformação

Ao celebrarmos o Dia Mundial da Água em 2024 com o tema “Água para a Paz”, reconhecemos a necessidade de cooperação global para enfrentar os desafios relacionados à água e promover a paz duradoura. A gestão sustentável da água não apenas garante a segurança hídrica, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável, a equidade e a estabilidade global.

Cada um de nós desempenha um papel vital na preservação desse recurso precioso. Ao adotarmos práticas responsáveis e apoiarmos iniciativas que promovem a conscientização e a ação, podemos construir um futuro onde a água seja um agente de transformação positiva, promovendo a paz e a prosperidade para as gerações futuras.

Fonte: Água Sustentável 

Senado aprova Política Nacional de Economia Circular; texto vai à Câmara

Em votação simbólica, o Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (19) um projeto de lei que cria a Política Nacional de Economia Circular, com o objetivo de estimular o uso mais consciente dos recursos e priorizar produtos mais duráveis, recicláveis e renováveis. A proposição (PL 1.874/2022), de autoria da Comissão de Meio Ambiente (CMA), foi aprovada na forma do relatório do senador Jaques Wagner (PT-BA), que apresentou substitutivo por meio de emenda. Agora o texto segue para análise da Câmara dos Deputados.

O projeto foi apresentado pela CMA após uma série de debates do Fórum da Geração Ecológica, realizados no âmbito da própria comissão. Além de estabelecer os objetivos, os princípios e os instrumentos da Política Nacional de Economia Circular, o texto altera a nova Lei de Licitações (Lei 14.133, de 2021), a lei que cria programas de incentivo à pesquisa (Lei 10.332, de 2001), e a lei que instituiu o Fundo Social (Lei 12.351, de 2010).

Segundo o projeto, a economia circular difere da economia linear, caracterizada pela sequência extração-produção-consumo-descarte. Na modalidade circular, a meta é “conservar o valor dos recursos extraídos e produzidos, mantendo-os em circulação por meio de cadeias produtivas integradas”. O modelo prioriza o reaproveitamento de resíduos, o reparo, o reúso e a remanufatura.

Senado deverá votar projeto sobre economia circular | Economic News Brasil - Notícias Sobre Economia e Negócios

O que diz o projeto

A Política Nacional de Economia Circular prevê, entre outros pontos, conscientizar a sociedade sobre o uso dos recursos naturais; estimular a pesquisa e a adoção de soluções em economia circular; e promover a gestão estratégica, o mapeamento e o rastreamento dos estoques e fluxos dos recursos no território nacional. Para atingir seus objetivos, o projeto determina a criação do Fórum Nacional de Economia Circular, com representantes de ministérios, sociedade e empresários. O fórum deverá elaborar planos de ação nacionais e estimular os estados e municípios a criarem instâncias similares.

O projeto também prevê a adoção de compras públicas sustentáveis; o financiamento de pesquisa e a promoção de processos destinados à adoção da circularidade; o estímulo ao direito dos consumidores de repararem seus produtos; a criação de incentivos fiscais; e a conscientização da sociedade quanto à utilização do potencial de vida útil dos produtos.

Substitutivo

O relatório de Jaques Wagner tinha sido previamente aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), acolhendo em substitutivo uma série de emendas oferecidas no colegiado. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) teve 14 emendas acatadas, incluindo a previsão de que produtores e fabricantes devem priorizar o uso de fonte de matérias-primas que apliquem métodos de produção regenerativos; o fomento do poder público a programas de colaboração entre fabricantes e produtores a fim de promover a utilização desses métodos; e a destinação de uma porcentagem do rendimento anual do Fundo Social para o desenvolvimento da economia circular.

Outras três emendas apresentadas na comissão foram aceitas pelo relator. Uma delas prevê que a estruturação, regulamentação e implementação dos instrumentos relacionados à economia circular, quando implicarem aumento de despesas, serão sempre antecedidas de análise de impacto regulatório com a participação de representantes dos setores econômicos e seus usuários.

Para Jaques Wagner, o projeto busca gerar um ciclo de produção virtuoso, apoiado na circularidade e na reciclagem de recursos, insumos, produtos e materiais em geral, utilizados em diversas cadeias produtivas. “Corresponde, pois, a um novo modelo de produção, mais responsável e sustentável, em linha convergente com objetivos, metas e pretensões no âmbito do equilíbrio e da preservação do meio ambiente. Trata-se, portanto, de um PL econômico e socialmente meritório”, sustenta o relator.

Fonte: Agência Senado

MARCA BRASILEIRA TRANSFORMA GARRAFAS PET EM CALÇADOS E MOCHILAS

Fundada por Ana Rita Poppi em 2017, a Vegalli destaca-se no mercado brasileiro como uma marca de sapatos sustentáveis que redefine os padrões da indústria calçadista.

Localizada na cidade de Franca (SP), a empresa transforma garrafas PETs e aparas da indústria têxtil em tecidos inovadores para a fabricação de calçados e mochilas.

De acordo com Ana Rita, a Vegalli não busca apenas clientes, mas sim amigos que compartilhem sua visão de mundo.

E essa filosofia é fundamentada em pilares essenciais da marca: a não exploração animal, a ética em todos os sentidos e a preservação ambiental.

A verdade é que a organização adota uma abordagem única em seus processos de criação, priorizando a sustentabilidade desde o início, sem comprometer a qualidade dos produtos.

O compromisso com o “slow fashion” reflete-se em produtos de design simples e minimalista, que atendem os princípios do consumo consciente e sustentável.

Vale destacar que a empresa ostenta o selo Eureciclo e o selo de não crueldade da PEA. Este último garante que os produtos não são testados em animais.

Além disso, a marca mantém uma parceria com a ONG “Cão que Mia” e a cada produto adquirido pelos consumidores, contribui com doações de ração para a causa animal.

Conheça o site da Vegalli!

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Fonte: Recicla Sampa

Hábitos sustentáveis estão entre as metas dos brasileiros para 2024

Reciclagem e escolha de produtos sustentáveis são interesse da maioria das pessoas, aponta pesquisa.

Hábitos sustentáveis que ajudam o planeta e o seu bolso

Os brasileiros devem intensificar esforços em prol do meio ambiente em 2024, com 75% dos respondentes de uma pesquisa de opinião afirmando que vão privilegiar o consumo de marcas comprometidas com a sustentabilidade no período. O levantamento, elaborado pelo VTrends, núcleo de pesquisa da operadora Vivo , aponta as ações que população espera desempenhar neste ano.

Atrás da escolha por marcas ambientalmente corretas, três iniciativas de reciclagem aparecem empatadas em segundo lugar, com cerca de 65% das respostas: separar o lixo orgânico do reciclável, a reutilização de produtos e a reciclagem de lixo eletrônico, como pilhas e aparelhos eletrônicos.

Fonte: Veja

O que é Upcycling: importância e vantagens

O que é Upcycling?

Há cada vez mais adeptos do upcycling, no entanto, ainda existem muitas dúvidas sobre o significado concreto deste conceito.

O termo upcycling, que em português significa “reutilização para cima”, vai de encontro com a proposta do modelo da economia circular, cuja ambição é tornar o “lixo” um conceito do passado, propondo a procura de soluções que mantenham os recursos a circular na economia até ao limite da sua capacidade.

Este termo foi popularizado, em grande parte, pela sua utilização no livro publicado em 2002 “Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things” (em português, “Do Berço ao Berço: Refazendo a maneira como fazemos as coisas”) dos autores William McDonough e Michael Braungart.

Esta obra é um verdadeiro marco, pois apresenta uma visão inovadora de como idealizarmos e desenvolvermos os produtos de uma forma ecológica, segura e sustentável, que perpetue a utilização dos recursos. Em 2013, os criadores do C2C foram mais a fundo neste tema, com a publicação do livro “The Upcycle: Beyond Sustainability – Designing for Abundance”.

Segundo estes autores, o objetivo central do upcycling é evitar que os materiais em bom estado sejam descartados, para assim, prolongar a vida útil destes materiais que são vistos como lixo ou desperdício, dando-lhes uma nova vida. Eles afirmam que esta metodologia reduz a extração de matérias-primas virgens da natureza, além de diminuir a poluição e o consumo de energia e de água necessários para a produção de novos produtos.

Exemplo de upcyclingExemplo de upcycling: antigo telefone que se transformou numa luminária. Foto de Johnny Briggs (Fonte: Unsplash)

A importância e as vantagens do Upcycling

O upcycling não é somente uma tendência, é uma atitude que todos nós precisamos ter perante o nosso mundo. Utilizar técnicas de upcycling traz muitos benefícios para as pessoas, para o nosso planeta e para as organizações, visto que:

  • Fomenta um consumo mais consciente e uma responsabilidade ambiental;

  • Reduz o consumo excessivo e o desperdício;

  • Diminui a poluição do nosso planeta;

  • Minimiza a quantidade de resíduos gerados;

  • Reduz a necessidade de consumir novas matérias-primas;

  • Abranda a extração desenfreada de recursos virgens da natureza;

  • Modera o uso de água e de energia;

  • Reduz a emissão de gases do efeito estufa;

  • Prolonga a vida útil dos materiais que já se encontram a circular na economia;

  • Potencia a circularidade dos produtos no seu fim de vida.

Upcycling, Downcycling e Recycling: qual a diferença?

O Upcycling, Downcycling e o Recycling são três conceitos que estão relacionados com o reaproveitamento e a transformações de materiais, no entanto, o processo e os produtos gerados em cada um deles são diferentes.

Upcycling significa, como dito anteriormente, “utilização para cima”, onde os produtos gerados geralmente apresentam funções diferentes do produto original e qualidade igual ou superior.

Downcycling, por sua vez, é a “utilização para baixo”, cujos materiais passam por um processo de transformação, gerando produtos com funções diferentes do produto original e com uma qualidade inferior.

Recycling, significa “reciclagem”, onde os materiais passam por um processo de recuperação industrial, dando origem a produtos com funções, qualidade e valor iguais ao produto original.

Note que, comparativamente, o processo de upcycling é “limpo”, pois não utiliza químicos na transformação dos materiais, como acontece nos processos de downcycling e o recycling que, além de utilizarem produtos nocivos à saúde, utilizam uma quantidade muito elevada de água e energia.

No processo de recycling, por exemplo, as garrafas de plástico ou as latas de alumínio, passam por um processo industrial de recuperação (que incluem lavagens e aplicação de químicos), cujas matérias-primas são utilizadas na produção de garrafas e latas novas.

Já no downcycling são misturados diferentes materiais (plástico, alumínio, etc.) com qualidades, texturas e cores diferentes, resultando num produto híbrido e com qualidade baixa. Neste processo, por exemplo, vários tipos de plásticos são misturados entre si, que se transformam, após a aplicação de produtos químicos, em pequenos pedaços de plástico que, geralmente, são utilizados para outros fins, como aplicações de madeira plástica. Na verdade, quando nos referimos aos processos de reciclagem, estamos muitas vezes a falar de downcycling.

O processo upcycling compreende a percepção de valor em todos os produtos potencialmente descartáveis, de forma a minimizar possíveis impactos negativos ao meio ambiente, por não utilizar energia e produtos químicos como acontece no Downcycling. O material, uma embalagem de biscoito, por exemplo, poderia ser descartada no meio ambiente, sem passar por processos físicos e químicos, podem-se transformar em guarda-chuvas, bolsas e diversos outros produtos de valor. Para tanto, observa-se a necessidade de criatividade agregada ao processo e, principalmente, de tecnologia que configure um processo inovativo.” (MOREIRA et al., 2017).

Exemplos de Upcycling

Felizmente, o movimento do upcycling vêm ganhado um maior destaque na nossa sociedade. O crescimento na utilização do processo de upcycling deve-se, em grande parte, à sua atual aceitação comercial e os custos reduzidos de materiais reutilizados.

E como prova disso, temos muitos exemplos de práticas de upcycling na indústria, na moda, na arte, na decoração e na arquitetura, que podem servir de inspiração para a sua empresa.

Para o brasileiro Christian Ullmann, um dos fundadores do movimento Lixo Invisível:

O upcycling propõe sim reciclar, porém, aumentando o valor criando novas peças ‘surpreendentes’ para fazer assim um melhor uso de toda a riqueza natural, do próprio material utilizado, da energia usada para a fabricação deste produto/material e especialmente do tempo que foi necessário”.

Upcycling na Moda

A indústria da moda é segunda mais poluente do mundo e tem gerado problemas muito graves não só para o meio-ambiente, mas para os seres humanos.1/4 dos componentes químicos produzidos destinam-se a este sector e a maioria é prejudicial para a nossa saúde.

A queda dos preços das peças de roupas está associado ao movimento do Fast Fashion, onde houve uma considerável redução na qualidade e durabilidade dos produtos, e aumento da exploração humana, sobretudo em países menos desenvolvidos.

Com isso, é de se esperar que a extração de recursos naturais tem sido demasiado acelerada para suprir essa demanda. Segundo a página da Circular Wear, são precisos mais de 2600 litros para produzir uma t-shirt e as roupas podem demorar mais de 40 anos para se decomporem.

Exemplo de upcycling na moda
Criada pela designer Alexandra Hartmann, na imagem a modelo utiliza uma camisola feita com cortinas de hotel

O relatório “A new textiles economy: Redesigning fashion’s future”, publicado pela Ellen MacArthur Foundation (2021), aponta para alguns dados preocupantes deste sector, como:

  • A cada segundo, o equivalente a um camião de lixo com produtos têxteis é incinerado ou descartado em aterros sanitários.

  • Todos os anos perdem-se mais de 500 mil milhões de dólares em valor devido às roupas pouco utilizadas e que são raramente recicladas.

Diante destes dados assustadores, fica claro que as empresas do sector precisam urgentemente repensar as suas ações, tornando-as mais circulares e sustentáveis, permitindo assim, gerar valor para a sociedade bem como reduzir a pressão exercida sobre os recursos naturais.

Upcycling na Indústria

Segundo Christian Ullmann, Coordenador de Projetos CR+IED Brasil e um dos fundadores do Movimento Lixo Invisível:

Todos os materiais e produtos podem ser ‘reaproveitados’. Esta é uma prática antiga – todas e todos já escutaram falar de um ferro velho, uma colcha de retalhos ou o ato de passar o berço para o novo irmão ou prima que está chegando – esta prática sempre existiu no sector industrial e até na própria casa”.

Muitos sectores industriais (têxtil, alimentos, bebidas, automobilística, etc.) geram subprodutos nos seus processos industriais e que podem ser reutilizados para criar novos produtos que irão gerar valor para as sociedades. No entanto, na realidade isso raramente acontece, o que resulta no aumento da poluição, principalmente, gerada pelos resíduos que são descartados indevidamente na natureza.

Esse ciclo contínuo de extração-produção-descarte, que foca no modelo linear, é extremamente nocivo para o meio ambiente e a sociedade. Por este motivo, cada vez mais, encontramos indústrias que conseguem visualizar o poder de reaproveitar estes subprodutos, seja para criar produtos novos, ou para comercializar estes insumos com outros mercados, aumentando a sua lucratividade.

Exemplo de upcycling na indústria
Mesa e bancos de bar produzidos com rodas de bicicletas pela empresa estadunidense Bike Furniture

Na perspetiva do upcycling, restos de materiais, por exemplo, que sobram da indústria de tecidos, pode ser reaproveitada para criar outros itens, como revestimento de sofás, tapetes, etc. Além disso, na indústria de automóveis, as peças que apresentam algum defeito podem ser reaproveitadas para criar outros equipamentos, móveis e objetos, ou mesmo serem utilizadas na decoração de um ambiente. O mais importante aqui é ter esta visão mais sustentável, ecológica e holística, que contemple a circularidade.

 

Fonte: BeeCircular

Microplásticos foram encontrados nas águas das nuvens, diz estudo no Japão

O estudo também aponta que os cientistas já detectaram grandes quantidades de microplásticos em humanos e animais.

A produção de plástico já se tornou grande problema para o mundo, não é à toa que existem diversos animais que correm risco de serem extintos por conta da alta quantidade de microplásticos nos oceanos. Contudo, parece que esse material tóxico não está apenas nas águas dos mares; um novo estudo realizado pela Universidade Waseda, no Japão, afirma ter detectado a presença de microplástico nas águas das nuvens japonesas.

De acordo com o artigo Environmental Chemistry Letters, os pesquisadores coletaram as amostras em nuvens de regiões montanhosas e de alta altitude no Japão; especificamente, no cume do Monte Fuji. Após uma análise minuciosa, eles confirmaram a presença de microplásticos nas nuvens, provavelmente, microplásticos transportados pelo ar (AMPs) por meio de aerossolização.

Além disso, o estudo também aponta que os cientistas já detectaram grandes quantidades de microplásticos em humanos e animais, até em órgãos como pulmão, coração, sangue e placenta. A descoberta foi realizada por meio do uso de técnicas avançadas de imagem, incluindo imagens por “reflexão total atenuada e a espectroscopia infravermelha por transformada de Fourier microscópica (µFTIR ATR imaging)”.

“Microplásticos na troposfera livre são transportados e contribuem para a poluição global. Se a questão da ‘poluição do ar por plástico’ não for abordada de forma proativa, as mudanças climáticas e os riscos ecológicos podem se tornar uma realidade, causando danos ambientais irreversíveis e graves no futuro”, explica o líder do estudo e professor da Universidade de Waseda, Hiroshi Okochi.

Microplásticos nas nuvens

Qualquer partícula de plástico com o tamanho inferior a 5 milímetros é considerada um microplástico, como foi encontrado nas amostras de nuvens do Japão.

 

Ao todo, os pesquisadores encontraram nove tipos diferentes de polímeros plásticos e um tipo de borracha que foram transportados pelas nuvens pelo ar. As descobertas também confirmam que os AMPs podem desempenhar um papel fundamental na formação de nuvens, ou seja, um fenômeno que pode acabar afetando o clima em algum momento.

O artigo explica que a acumulação de AMPs pode afetar principalmente as regiões polares da Terra e, assim, causar alterações significativas na biodiversidade do planeta. No geral, eles encontraram concentrações que variavam de 6,7 a 13,9 peças de microplásticos por litro de água; incluindo polietileno, polipropileno, tereftalato de polietileno e poliuretano.

“Os AMPs são degradados muito mais rapidamente na alta atmosfera do que no solo devido à forte radiação ultravioleta, e esta degradação liberta gases com efeito de estufa e contribui para o aquecimento global. Como resultado, as conclusões deste estudo podem ser usadas para explicar os efeitos dos AMPs nas futuras projeções de aquecimento global”, Okochi conclui em comunicado oficial.

Cientistas japoneses encontram microplásticos nas nuvens e alertam para  risco de contaminação por "chuva plástica" | Clima | Um só Planeta

 

Fonte: Terra

Como trazer valor para a sua marca? Isto é o que 94% dos brasileiros esperam das empresas

Maior parte dos brasileiros espera que empresas adotem práticas ESG, afirma pesquisa; veja como fugir do greenwashing e melhorar a credibilidade com ações sustentáveis.

Não é exagero dizer que o ESG se tornou uma febre no mundo dos negócios. Tanto é que o número de empresas comprometidas com práticas ambientais, sociais e de governança só cresceu nos últimos anos – estudos apontam que essa agenda já é prioridade para 95% das empresas.

E as vantagens dessa escolha vão além de colaborar com a construção de um mundo mais ético e justo. Essas companhias têm a chance de melhorar sua reputação e aumentar a credibilidade diante de parceiros estratégicos, como os consumidores, funcionários e investidores.

Para ter ideia, segundo a empresa de consultoria EY, 99% dos investidores utilizam divulgações ESG para decidir se investem ou não em uma empresa . Isso significa que organizações com diretrizes ESG têm mais chances de receber investimentos financeiros.

Além disso, implementar políticas ESG é uma forma de atender a uma demanda do mercado brasileiro. Uma pesquisa realizada pela consultoria Walk The Talk concluiu que 94% dos brasileiros esperam que empresas adotem práticas ESG . Segundo o levantamento, brasileiros acreditam que essa é uma obrigação das companhias.

Portanto, não dá para negar que o ESG é uma excelente forma de agregar valor aos negócios, o que pode levar a um aumento da confiança dos stakeholders. Mas é preciso atenção: afirmar ser sustentável sem de fato ser pode ter o efeito contrário.

Precisamos falar de sustentabilidade e ESG nas empresas

Cuidado com o Greenwashing

Greenwashing é um termo em inglês para “lavagem verde”. A expressão costuma ser atribuída às empresas que fazem divulgações falsas sobre sustentabilidade: afirmam que seus produtos são sustentáveis, mesmo não sendo.

E isso pode acontecer de várias formas. Ocultar dados, usar informações inverídicas e afirmar ações sem comprová-las são alguns exemplos de greenwashing.

Nesse caso, ao invés de agregar valor e trazer mais credibilidade, essas práticas podem prejudicar a imagem da empresa no mercado. Por isso, é fundamental evitar o greenwashing e estar sempre atento com relação às práticas internas da organização.

Fuja do greenwashing: este conteúdo gratuito ensina a aplicar o ESG verdadeiramente no seu negócio!

 

Fonte: Exame

Produtos feitos de falso plástico biodegradável são vendidos em supermercados do país

Um estudo famoso publicado na revista Science mostrou que, até 2015, cerca de 6,3 bilhões de toneladas de polímeros plásticos haviam sido produzidos e descartados ao longo da história humana. Destes, apenas 9% foram reciclados e 12%, incinerados. Os 79% restantes foram acumulados em aterros sanitários ou em ambientes continentais, dos quais aproximadamente 10% alcançaram ambientes marinhos ou costeiros.

Os dados são de oito anos atrás. E, embora alguns países tenham anunciado políticas de “plástico zero”, a situação está certamente muito pior agora, por efeito cumulativo, uma vez que a produção anual é de 400 milhões de toneladas. Em consequência, a contaminação por microplásticos tornou-se, depois da crise climática, um dos maiores problemas ambientais do planeta. Há microplásticos em todos os lugares: na terra, no mar e no ar. Como afirma o pesquisador Ítalo Castro, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), “a gente só não encontra microplásticos onde não procura”. No corpo humano, eles já foram detectados no sangue, nos pulmões, no coração e na placenta.

O agravante é que aquilo que deveria ser uma solução muitas vezes constitui um problema a mais. É o que mostra uma investigação coordenada por Castro.

Pesquisadores do Instituto do Mar visitaram 40 supermercados do Brasil e analisaram os produtos supostamente feitos com plásticos biodegradáveis expostos à venda. Os estabelecimentos foram escolhidos entre grandes redes que atuam nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. E um total de 49 produtos diferentes, incluindo sacolas, copos, pratos, talheres e outros utensílios de cozinha, foram encontrados. Esses itens eram, em média, 125% mais caros do que similares feitos de plásticos convencionais. A grande surpresa foi verificar que nenhum deles, mesmo os de grandes marcas, atendia aos requisitos mínimos para serem considerados de fato biodegradáveis.

O estudo teve como primeira autora a doutoranda Beatriz Barbosa Moreno, bolsista da FAPESP sob a orientação de Castro. Os resultados foram publicados no periódico Sustainable Production and Consumption.

“Para ser considerado biodegradável, um produto, quando descartado no meio ambiente, deve-se converter em água [H2O], gás carbônico [CO2], metano [CH4] e biomassa em um intervalo de tempo relativamente curto. Não há consenso sobre que intervalo de tempo é esse. Mas a ideia geral é que varie de algumas semanas a um ano. Nenhum dos 49 itens que investigamos atendeu a esse requisito”, diz Castro.

Segundo o pesquisador, mais de 90% deles eram feitos com uma classe de materiais que se convencionou chamar de oxodegradáveis. Apesar do nome, esses materiais não sofrem degradação em condições ambientais normais. São polímeros de origem fóssil aditivados com sais metálicos. Os sais aceleram o processo de oxidação e fragmentação. Mas os fragmentos podem permanecer por décadas na natureza. Além de não contribuir para a degradação, a fragmentação acelera a formação de microplásticos.

“Os plásticos oxodegradáveis já foram proibidos em vários locais do mundo, incluindo a União Europeia. Na maioria dos casos, as proibições ocorreram pela falta de evidências de biodegradabilidade em ambientes reais, associada ao risco de formação de microplásticos”, informa Castro.

sacolas oxibiodegradáveis - reformadocodigopenal.com

Regulação

Como os plásticos oxodegradáveis ainda não são proibidos no Brasil, sua venda não constitui crime. No entanto, além da denominação capciosa, os consumidores são enganados pela alegação de muitas empresas de que seus produtos foram aprovados por normas técnicas e testes de biodegradabilidade, como ASTM D6954-4 ou SPCR 141. “Essas normas fornecem apenas um guia para comparar taxas de degradação e alterações de propriedades físicas sob condições controladas de laboratório, não avaliando as etapas finais da degradação. Aliás, nas páginas web das próprias normas, há advertências para que não sejam usadas em certificações de biodegradabilidade de produtos plásticos comerciais”, argumenta Castro.

O pesquisador ressalta que a comercialização de um produto que não entrega o prometido, do ponto de vista ambiental, pode ser enquadrada como prática de greenwashing, termo em inglês que indica falsas alegações ambientais em produtos comerciais.

“Quando um produto reconhecidamente prejudicial para o meio ambiente passa a ser maciçamente usado, é necessário que ações de Estado sejam implementadas. Nesse sentido, tramita no Senado projeto de lei 2524/2022 que, entre outras providências, veda o uso de aditivos oxidegradantes ou pró-oxidantes em resinas termoplásticas, assim como a fabricação, a importação e a comercialização de quaisquer embalagens e produtos feitos de plásticos oxidegradáveis”, informa Castro.

Caso aprovado no seu formato atual, diz o pesquisador, o PL 2524/2022 poderá contribuir para a transição do Brasil rumo a uma economia circular do plástico. “Essa transição é uma necessidade urgente”, enfatiza Castro. E prossegue: “O Instituto do Mar está localizado em Santos, no litoral paulista. Em Santos, detectamos microplásticos acumulados em ostras [Crassostrea brasiliana] e mexilhões [Perna perna]. Esses animais são filtradores da água do mar. Por isso, considerados o padrão-ouro para avaliação das condições do ambiente em que se encontram. Os valores que detectamos estão entre os maiores do mundo quando comparados a outros 40 estudos semelhantes”, conta (leia mais em: agencia.fapesp.br/41673).

Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) afirmou em nota que apoia o PL 2524/22, mas com algumas alterações. “O ministério é favorável à proibição de aditivos oxidegradantes/pró-oxidantes, baseando-se em estudos que comprovam a geração de microplásticos na fragmentação de plásticos com tais aditivos – o que causa dano ambiental, particularmente para ambientes marítimos”, sublinhou o texto.

Já a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) informou, também em nota, ser favorável à proibição da utilização do aditivo oxidegradável em produtos plásticos. Contudo, a entidade se coloca contrária ao PL 2524/2022, que, em sua avaliação, “confunde economia circular com banimento de produtos plásticos, direcionando o objeto da lei apenas a um único material”. O texto diz ainda que “a economia circular implica uma mudança sistêmica, portanto, exige uma abordagem macro, envolvendo todos os setores da indústria. Enquanto isso, outro PL, o 1874/2022 [que institui a Política Nacional de Economia Circular], traz disposições importantes, como a gestão estratégica dos recursos, a promoção de novos modelos de negócio, os investimentos em atividades de pesquisa e inovação e o apoio à transição para o uso de tecnologias de baixo carbono por meio da criação de condições atrativas para investimento público e privado, entre outros aspectos”.

“A Abiplast acredita no debate sério e preciso, com informações científicas, para que se possa promover um diálogo propositivo sobre a correta utilização do plástico e todos os benefícios que o material trouxe e traz para a sociedade. O setor plástico tem sido protagonista em ações para promover a economia circular do material, investindo em tecnologia, sustentabilidade e inovação”, afirmou a entidade.

O artigo High incidence of false biodegradability claims related to single-use plastic utensils sold in Brazil pode ser acessado em: www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S235255092300180X?via%3Dihub.

Fonte: Agência Fapesp 

TEM MUITO DINHEIRO SENDO ATERRADO, MAS SEU LIXO NÃO VALE OURO! CAPÍTULO 3: A RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA? MAS EM QUÊ?

Talvez o conceito mais importante da nossa PNRS e, certamente, o menos aplicado é esse: A RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA.
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A responsabilidade compartilhada define que todos envolvidos no processo (empresas, produtores, importadores, consumidores, entre outros) são responsáveis por tomar ações individualizadas em relação ao ciclo de vida dos produtos comercializados e utilizados. No entanto sabemos que quando trata-se de resíduo, a conta, atualmente está apenas com as marcas (que pelas normativas estaduais são aquelas responsáveis por cumprir com os 22% mínimos em massa para comprovação da logística reversa).
A conta fecha? Claramente não! Enquanto a sociedade não entender que resíduos = custo, vamos sempre continuar com a visão distorcida de que os recicláveis geram rendas, riquezas e que, na verdade, deveriam pagar para você destinar o resíduo.
Crédito de reciclagem: governo Lula prioriza catadores, mas ações podem ser  insuficientes
O resultado disso é bem simples: a reciclagem dos resíduos pós consumo é um mercado informal tomado por pessoas (catadores) a margem de direitos básicos mínimos. Devido a informalidade, o investimento dificilmente chega na ponta e o resultado são resultados práticos pífios (indicator oficial relata que menos de 5% de fato é reciclado no Brasil) e impactos gigantes em nosso ecossistema.
Mas e a política? Os governantes tentam, na caneta, resolver o problema, mas o mesmo só será resolvido com uma mudança de atitude, de cultura. O que não faltam são leis que não são aplicadas por falta de decretos (ou interesse) e, para dificultar ainda mais, um arcabouço fiscal que vai na contramão da promoção da reciclagem.
Ou seja, em poucas palavras dá para perceber que responsabilidade compartilhada mesmo, não temos nada! Mas se todas as empresas que conheço (ou grande  parte delas) falam que estão fazendo sua parte, onde está o problema? Fique atento para o quarto capítulo onde abordaremos o Greenwashing e suas variantes!